sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Choro em pensar que o tempo não volta! Um adeus de 201 a 209!

Nestes dias me peguei olhando para o céu, era um dia chuvoso do mês de setembro, e parei para pensar que tudo aquilo que estávamos construindo teria um fim, pois a única coisa que sabemos é que o “Fim é uma certeza”, pensei muito sobre toda a caminhada que um ano letivo traz, de todos os risos e aulas que se vão, de todas as brincadeiras e questionamentos que se perdem ao léu, mas para imaginar que nada foi vão, penso que valeu a pena cada noite que perdi estudando para ser aprovado no concurso e ter uma boa colocação, talvez se fosse algum sujeito relapso, jamais tivesse o prazer de conhecer todos estes amigos que fiz neste ano, amigos a quem tive o prazer de trazer conhecimentos relacionados à Geografia.

Com traços de tristeza escrevo mais este texto, afinal, mais um ano letivo que se vai, e mais alunos e parceiros de aprendizagem que seguem novos rumos, sabe-se que o tempo passa e ciclos se fecham para outros se abrirem, é comum para seres humanos, temos que encarar este fato!
"O importante é o que importa"

Neste ano fiz minha estreia no Colegião, onde talvez eu passe pelo menos uns 30 anos de minha vida, e como se sabe, toda estreia é marcada por nervosismo e também por angústias, mas, ao contrário do que eu imaginava, tudo decorreu da melhor maneira, fui bem recebido e vi que tinha o privilégio de ter excelentes companhias, alunos compromissados e interessados em aprender cada vez mais!

Já no fim do primeiro bimestre sabia que tinha verdadeiras joias em minhas mãos, por isso deveria atuar com perspicácia para lidar e estar à frente da disciplina de Geografia, que a maioria não se interessa muito, confesso. Já no início do ano propus uma experiência nova para avaliações, e resolvi valorizar o que o aluno pode construir fora de sala de aula, e trouxe o método de avaliações online, que inicialmente foi alvo de resistências, porém, como se sabe, foi abraçado e aclamado por grande parte dos alunos, que perceberam o quão trabalhoso é inovar!

A inovação pode custar caro também, pois diante de uma situação de fornecimento de materiais de pouca qualidade, resolvi investir em meus alunos, e trouxe o DataSHow para sala de aula, também resolvi fazer publicações em um blog para direcionar os conteúdos, perfazendo assim um trabalho mais que dobrado! Mas que valeu a pena, muito mesmo, pois sei que cada aluno que passou por minhas aulas foi especial!

"PESSOAL!"

Já neste fim de ano posso afirmar que tive um ano maravilhoso, e em nenhum momento desanimei ou fiquei desapontado com meus brilhantes alunos, afinal, poucos ficaram em prova final, e dos que ficaram os índices necessários para a aprovação são baixos, o que me deixa muito feliz e satisfeito!

Como professor errei muito, e talvez tenha ficado devendo em muitos aspectos, porém posso afirmar sem dúvidas alguma que me doei ao máximo e sempre lutei para equipararmos o nível da disciplina de Geografia a qualquer outra escola da região, principalmente as famigeradas particulares! Desse debate criei um bordão, “Aqui o ensino é forte”, justamente para valorizar ainda mais o esforço de meus pupilos!

Peço desculpas por equívocos e lacunas que não preenchi, também reitero que as várias brincadeiras que fiz enquanto lecionei fazem parte de um ponto de vista estratégico de ensino, visando sempre a aprendizagem de todos! Saliento que jamais me exaltei no Colegião, não por méritos meus, mas sim por possuir alunos que realmente demonstram respeito pela disciplina e por mim.

"Te levo comigo"

Neste ano vivi momentos marcantes, e agradeço todas as turmas pela tamanha receptividade, e também por compreenderem meu jeito descontraído de ser, também lembro que as palavras desconhecidas ou mais “Difíceis” que colocava no quadro ou em provas, são meramente termos que gostaria que vocês conhecessem, pois como sempre disse, é papel da Geografia estar próxima de todas as outras disciplinas.

Lembro a todos dos jogos, e do absoluto orgulho que tive de minha regência, a 207, turma unida que conquistou medalhas no futsal e fez bonito honrando toda nossa relação construída, e deixo meus parabéns a todos que fizeram parte daquele emocionante evento, e como muitos lembram, eu vibrava com as vitórias de todas as minhas turmas, como se estivesse jogando ou torcendo por amigos, que é o que meus alunos representam pra mim, amigos!

"Aqui o ensino é forte"

Neste ano também construí com meus alunos uma relação que transcendia a relação comum de sala de aula, onde o professor detém o saber e apenas “Repassa” tudo o que tem que repassar e ponto final, quis mostrar que sim, podemos ser amigos e ao mesmo tempo aprender juntos vários conteúdos, alguns bem chatos, mas alguns até que legais! Haha!


"Hoje é um dia muito especial, tem aula de Geografia"

Por fim, deixo meu agradecimento mais sincero a todos que fizeram parte deste ano, saibam que estarão sempre em meus pensamentos, e espero estar próximo de vocês sempre, aplaudindo cada conquista que obterem, que quando precisarem de uma mão estarei lá para ajudar, pois amigos são para isso mesmo!

"Porque eu já escrevi um livro..."

Saibam que lamento muito não continuar nesta caminhada com vocês, gostaria muito de acompanhá-los no terceiro ano, o ano que mais envolve escolhas, acho que poderia contribuir muito, mas como disse, nem sempre as coisas saem como esperamos ou desejamos e os ciclo possuem um início, um meio e um fim, espero encontrar-lhes, afinal, o mundo é pequeno demais para quem sonha muito.

Choro em pensar que o tempo não volta, e que tudo tem que obrigatoriamente ficar para trás!



Abraços fraternos do Prof. Galã.


A luz do sol chegou a me cegar


Depois de tanto tempo sem sair pra andar

na rua em que eu cresci



Tem cantos que eu não consegui rever

Impressos na memória e lembrando porque

Eu tive que partir dali


Sobreviver e acreditar
Que no final
A verdade vai prevalecer

E ninguém vai me derrubar
Nem todo o mal desse mundo
vai me enfraquecer

domingo, 29 de junho de 2014

“Qualidade na educação”? Um conceito sustentável!

O que podemos e o que devemos entender por “Qualidade na educação”? Afinal, o questionamento levanta e estabelece pareceres a uma análise crítica perante a nossas concepções já pré-estabelecidas.

De que maneira podemos definir o que é “Qualidade”? Afinal, de maneira clara observamos que por vezes a educação em nosso país encontra-se sucateada, e ao nos utilizarmos de dados históricos e de cunho educacional para confirmar tal panorama, a qualidade de educação deve estar atrelada diretamente a qualidade de vida do indivíduo, logicamente tudo partindo da instituição escolar.

O contexto de privilégios na questão de qualidade também deve ser questionado, afinal, como podemos utilizar modelos únicos e raros para conceituarmos ou aferirmos a qualidade de ensino, para isso ele se utiliza da seguinte citação, “Qualidade para poucos não é qualidade, é privilégio” (Gentili,  1995, 177).

O acesso democrático e não exclusivo a grupos (Questionando exclusões habituais e corriqueiras de nosso ensino), se aponta um endemismo e pragmatismo paradoxal dessa questão, afinal, percebe-se que as escolas nem ao mesmo possuem corpos técnicos e estrutura suficiente para a inclusão de deficientes, tampouco para a lida com novos problemas educacionais, tais como o Bullying.

Ao utilizarmos documentos e pareceres oficiais como o documento do CONAE (Conselho Nacional de Educação) que se refere à importância da infraestrutura física da escola, a realidade é pragmática, afinal, é perceptível que a educação básica brasileira está em um cenário aterrador e preocupante, se distanciando cada vez mais da excelência de países ditos desenvolvida.

Devemos nos preocupar também a com a unicidade educacional, afinal, os padrões seriam ideais? Seu questionamento o leva a reflexões emancipadoras propostas por Freire, que defendia um ensino público popular, acessível que ausente no que tange às preocupações com valores econômicos, mas sim com o social, pode ser constatado uma preocupação que foge Às propostas mais rígidas que mantém uma preocupação relativa à preparação para o mercado de trabalho, vestibulares e concursos.

Em uma reflexão básica, podemos questionar o fato da LDB aumentar o número de dias letivos para 200, em 1996, e o desempenho dos estudantes estar abaixo após tão transição, ou seja, será que a quantificação é sinônimo de qualificação neste contexto? Neste mesmo momento dar-se-á uma reflexão sobre uma possível implantação do ensino integral, mais uma vez levantando uma bandeira favorável ao mesmo, porém estabelecendo reflexões acerca da real qualidade do mesmo, afinal, maior carga horária não reflete aumento no desempenho e democratização da educação.

No fim dessa reflexão, podemos nos apoiar em um conceito de sustentabilidade educacional, questionando também os males que assolam nossas escolas atualmente, o “Instrucionismo”, ou seja, a mera reprodução do conhecimento, isolando assim os poucos focos que criatividade ainda existente.
Para o desenvolvimento da sustentabilidade educacional, pilares devem ser estabelecidos, afinal, de maneira complexa e sistêmica sabemos que só podemos ter alunos produtivos em universidades quando a educação básica receber devida atenção.

O fortalecimento das escolas perpassa primordialmente por fatores que envolvem a formação adequada de docentes e também uma infraestrututa adequada. Por fim, saliento que os paradigmas clássicos da educação (O que adotamos e seguimos rigorosamente até os dias de hoje) não possuem recursos suficientes para serem adotados em uma concepção sustentável de educação e tendem a segregar cada vez mais os discentes. Somente uma visão de concepção holística poderia acabar com tal segregação e tornar a educação sustentável e realmente útil e formadora.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O amargo sabor da despedida

Segundo o dicionário Aurélio (2014) podemos definir a palavra “despedida” das seguintes maneiras:


“s.f. Ação de despedir. / Saudação no momento em que pessoas se separam. / Ato de mandar embora, de dispensar um empregado.”
De fato sei bem o que significa despedida e já me habituei a executá-las, afinal, como professor acabo conhecendo muitos alunos  anualmente, alguns mais marcantes, interessados e amigos, é verdade, outros talvez fiquem apenas como vaga lembrança.

O fato é que na Educação de Jovens e Adultos tudo isso é “maior”, afinal, você lida com um público já adulto e preparado para intensos desafios e para a aprendizagem, não que o ensino dito “regular” não propicie, mas nós professores sabemos que a experiência é única.

Neste ano recebi um desafio diferente, este que se tratava em lecionar em um município distante do meu, mas que por conveniência seria bom, pois estudo em um município mais distante ainda. O trajeto Praia Grande e Sombrio foram feitos semanalmente por 4 meses, e que maravilhosos meses!

No início de qualquer disciplina o professor sempre tem um frio na barriga, afinal, não é fácil lecionar para a adultos e ainda mais em local tão distante de sua realidade, posso dizer que joguei fora de casa inicialmente! Mas com paciência as coisas foram se encaixando e a “Viagem” que eu fazia, e que inicialmente era configurada como um “Trabalho”, mais pareceu uma missão prazerosa.

Poucas vezes me importei tanto com uma transição de turmas na EJA, afinal, sabe-se que o pouco tempo impede de criarmos laços profundos com os alunos, mas admito que desta vez fraquejei na despedida, e covardemente preferi evitá-la, talvez sendo um pouco frio e calculista, mas desmanchando por dentro.


É muito interessante saber e confiar que fiz parte de uma “História” que começou a ser construída lá em 2012 quando estes alunos decidiram retornar aos bancos escolares, e com pouca idade já percebo realmente que o papel de um professor deve transcender aos métodos e metodologias aplicadas em sala de aula, o professor deve ser multifacetário, ter um  humor incrível e acima de tudo, conveniente e complacente, talvez até cúmplice, da aprendizagem, lógico.

A rigidez imposta por uma sociedade que adota um modelo de escola do início do século XIX deve ser rechaçada, afinal, não necessitamos mais sermos carrascos ou disciplinadores para obtermos bons resultados, lá, na Turma 40, na empresa Italianinho em Sombrio eu tive a certeza disso.

Que o gosto amargo da despedida pertença somente ao professor Lucas Cechinel...

Você diz foi bem fácil me esquecer
Que o laço nasceu para ser cortado,
Mas eu vou discordar.
Memórias não somem assim.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Básicas considerações sobre a internet no período técnico-científico-informacional: O perigo mora ao lado!

Após o advento da 3ª Revolução Industrial, esta iniciada em meados de 1940, deu-se início o período técnico-científico-informacional, tal período é considerado como marco inicial de uma grande série de rupturas, dentre as quais a valorização da informação e a evolução tecnológica, que até então caminhara em letárgicos passos.

A internet sem dúvidas foi uma das grandes responsáveis por intensas transformações sociais e econômicas que cada vez mais modelam nossas vidas e sociedade, pois através da utilização da grande rede Web podemos com poucos cliques acessar um imenso mundo de informações.
No inicio da década de 1990 a internet começou a dar passadas largas e se desenvolveu como já foi elucidado, a “mera” troca de informações, objetivo inicial, foi ficando para segundo ou terceiro plano, sendo que a internet nos dias atuais se configura como importante e necessária ferramenta para diferentes áreas.

Segundo o geógrafo Milton Santos, a informação é o bem mais valioso para qualquer sociedade, e a mesma é valorizada mediante sua propagação, mas também com o cunho econômico, portanto não podemos deixar de atrelar em nenhum momento a economia e a difusão de informações.

No fim da última década ocorreu a popularização de serviços como correio eletrônico, transferência de arquivos, mensagens instantâneas e videoconferências, sendo estes úteis a diversas áreas do conhecimento e À economia. O acesso móvel também é destacado, possibilitando inclusive a usuários sem computadores pessoais o acesso À rede.

Por fim, a internet e seus serviços se consolidam como grande fonte de informações e ou, propagação das mesmas, e a comunicação entre os usuários é um destes importantes pontos, transcendendo assim barreiras físicas que antes impediam a difusão de informações.

 O perigo mora ao lado

As redes sociais são sem dúvida alguma essenciais em um contexto vida social, afinal nos informamos e lidamos com notícias úteis, além de nos comunicarmos com pessoas de nosso ciclo de amizades, contudo, nem tudo são flores, e na internet podemos observar que facilmente somos manipulados por notícias falsas ou sem algum fundamento fidedigno, porém, ao vermos a mesma compartilhada adotamos como verdade absoluta.

A poucos dias assistimos perplexos uma situação que envolveu uma senhora, esta moradora de uma comunidade carente do município de Guarujá, estado do São Paulo, a mesma foi confundida com um retrato falado e julgada como praticante de rituais de magia negra , além de sequestradora.

A pobre senhora, que já possuía problemas de saúde, foi espancada e julgada por uma população ignorante e mal informada, e fomentada por boatos inverídicos que rolavam em uma rede social. Definitivamente podemos afirmar que a informação possui sim um valor econômico e social agregado, porém cabe ao ser humano manuseá-la e classificá-la, bem como aferir se seu contexto é realmente fidedigno.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A escola: suas tribos, os territórios e as culturas juvenis

Na Geografia lidamos a todo o momento com o conceito de território, afinal, desde os primórdios da ciência geográfica este se faz presente nas temáticas discutidas por pesquisadores e alunos e professores.

Podemos adotar a definição de território proposta por Marcelo Lopes de Souza, que julga o território como: “Todo espaço geográfico delimitado e possuidor de espaços fronteiriços e onde há relações administrativas e de poder”.


Neste contexto, o viés da discussão cabe ao âmbito escolar, onde facilmente podemos perceber que a fragmentação territorial é bastante evidente, afinal, as semelhanças e diferenças entre costumes e crenças de alunos os afastam e os aproximam um dos outros, facilmente percebemos que há a criação de determinados grupos, estas que podem estar apoiadas por afinidades musicais, por exemplo.

É papel da escola, seu corpo docentes e orientadores, conhecer e refletir sobre a relação entre a juventude e seus territórios, assim, conseguirão valorizar de maneira plena as culturas juvenis.

No Âmbito escolar é fácil diagnosticar que vemos os “Rockeiros”, os “Funkeiros” e até mesmo os “Nerds”, cada um deles segue um conceito de comportamento, e por vezes até se vestem e se comportam de maneira estereotipada, o que por vezes gera debates e discussões infindáveis, afinal, nem todos são obrigados a amarem o que realmente detestam, mas, devem aprender a tolerar.

Mas tudo é fase, tudo passa e tudo cai, grupos conseguem se “territorializar”, e outros repentinamente são “desterritorializados”, aconteceu comigo, afinal, a onda do Hardcore melódico que assolou minha adolescência, por volta do ano de 2005, já não faz mais parte das tribos adolescentes de hoje, minha tribo foi destituída e tivemos nossos pajés assassinados!
No inicio deste ano vivenciamos situações muito parecidas com o cunho deste debate, afinal, percebemos que o rolêzinho, este praticados por jovens de todas as classes sociais, era à busca de território por jovens com o anseio de reunião, é claro, sabemos que aproveitadores também eram integrantes desses movimentos e que crimes e demais delitos foram cometidos.

Nas escolas nada disso é diferente, e na hora de intervalos e recreio percebemos o quão pode ser fragmentada a população de alunos de uma escola, nunca se percebe uma completa integração, e quando mais os jovens amadurecem mais evidente se torna a segregação populacional de alunos, o motivo? Afinidades culturais!


Também é perceptível que os conflitos ocorrem entre membros de “Tribos” diferenciadas e que as discussões por vezes são alimentadas visando comprovar quem possui uma cultura mais rica ou útil para a sociedade, porém, as discussões tendem a serem vagas e pouco fundamentas fato não isolado devido à falta de instrução e de leitura por parte de nossos jovens.

Por fim, resta ao jovem que seja tolerante e que aprenda a reconhecer a importância de todas as tribos de sua escola, e que nunca seja arrogante ou extremista ao se considerar superior por fazer parte de determinado grupo, afinal, a escola é um lar de múltiplas culturas e olhares.

Resta também considerar a rua como espaço privilegiado para a prática, representação e propagação de seus rituais juvenis, afinal, lá são o único espaço onde a repressão de educadores, pais e demais tribos pode ser descartada.




Fonte das imagens:
http://1.bp.blogspot.com/_CzntJpdaXZk/SwwtRuHUQNI/AAAAAAAAABA/TQxBd7Q7aWk/s1600/img005.jpg
http://www.jacarebanguela.com.br/wp-content/uploads/2010/04/vida-e-obra-de-mim-mesmo.jpg

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Síndrome de Peter Pan e eu.

A síndrome de Peter Pan foi definida em psicologia como a “Síndrome do homem que nunca cresce”, e a primeira obra que se refere ao assunto foi escrita por Dan Killey em 1.983, porém nem há certeza se realmente isso é uma doença real, e eu por exemplo, acredito que não, e somente creio que podemos defini-la como um estado de extrema nostalgia.

Peter Pan era um personagem que nunca crescia, e que aproveitava sua juventude eterna com seus companheiros de sua idade, ou mais novos e ao lado de sua fiel escudeira, a fada sininho, e como o mesmo nunca crescia, e desejava o mesmo, acredito que tenho um pouco em mim do velho (risos) personagem de Walt Disney.

Fonte da imagem: Uol.com.br

Desde cedo contava os dias para nunca crescer, e sempre olhava para os mais adultos e acompanhava seu semblante de extrema preocupação, e eram preocupações fidedignas, afinal, existem dívidas, empregos e imensas responsabilidades quando você se torna adulto.
Desde o ano 2000, quando tinha 10 anos, já sabia que o tempo é implacável e que nossas vidas são guiadas sempre ao sabor do destino e é claro, com nossa ajuda e com nossa tomada de decisões.

Uma vez, após uma aula questionei uma professora.

-Professora, será que um dia o ser humano criará um jeito de se ser para sempre criança?
Ela me respondeu, e tal resposta jamais esqueci...

-Não, jamais conseguirá isso, mas pense, as memórias são o que de melhor você pode levar de todos os momentos que você viveu quando criança, não esqueça também que existem fotografias e os próprios relatos orais, muitos  que você conhece hoje serão seus amigos eternamente, mesmo que alguns você nunca mais veja, algum resquício de memória você sempre carregará.

Diante da resposta, que nem ao menos compreendi, mas anotei, questionei meu irmão que posteriormente me explicou tudo, inclusive corrigindo os erros ortográficos que cometi anotando tal resposta.

Acredito que desde aquela momento tomei a consciÊncia de que crescemos, independente do desejo de termos 10, 12 ou talvez 16 anos eternamente, e também compreendi que as responsabilidades só aumentam conforme sua idade avança.

As dificuldades físicas e de raciocínio também são iminentes, mas, ao contrário do que sempre pensei, demoramos a ficarmos velhos, e o espírito da juventude pode permanecer eternamente em nossas faces, para não nos rendermos aos maus hábitos.

Nostalgia

A nostalgia toma conta facilmente de qualquer saudosista como eu, e o principal motivo por escrever mais este texto está em um específica foto que guardei, e que é datada do ano de 1999, ano em que estive na 3ª série, e ainda frequentava aula no Grupo Escola Fiorento Meller (Que hoje já tem outro nome) e onde comecei a conhecer a Geografia e ano em que decidi ser professor (É cedo, mas é verdade).

Na foto, um mero encontro de nós alunos, da 3ª série, em frente a um  monumento da prefeitura municipal de Criciúma mais conhecido como “5 dedos”, da foto, reconheço a maioria, de alguns, de alguns até esqueci o nome, apesar de lembrar muito bem que faziam parte do meu ciclo de amizades naquele momento!


O valor da foto? R$1, um valor meramente simbólico para uma grande joia que eternamente guardarei!

“Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.

Fernando Sabino.


O que você vai ser quando crescer?

O que a gente vai fazer quando se ver
De novo
O que será que acontece
Pra gente um dia não se querer mais
Eu só queria um pouco de paz




quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Quem já perdeu um sonho aqui?!"

Com a frase central de uma das mais populares canções da banda “Hateen”, começo a escrever sobre uma das coisas que mais me afligem: A falta de prospecção das pessoas, ou seja, duelo utilizando minhas palavras contra um comodismo que insiste em invadir nossas vidas e lares.

A zona de conforto realmente um lugar muito seguro, por vezes flertamos com bons empregos e boas colocações para justamente nos acomodarmos e sermos coadjuvantes, afinal, quem precisa conquistar o espaço é quem deve batalhar. Porém, em minha concepção o comodismo é complexo, e por vezes nos torna somente mais um grão de areia na imensidão.

No âmbito educacional, vejo que é muito fácil para conquistarmos o comodismo, afinal, por que devemos continuar estudando ou buscando qualificações se já conhecemos e sabemos de tudo? Na realidade sei que nós, professores, não sabemos de tudo, porém, após algum tempo parece que a mesma vontade que exigimos aos alunos (Vontade de aprender) fica estagnada para nós, professores.

Novos cursos, especializações, palestras e qualificações parecem ser devaneios, afinal, por que deixaríamos nossas cômodas vidas bem planejadas para aprendermos mais? Por que devemos nos matar de estudar se nem tudo o que existem em cursos e especializações vamos usar em sala de aula? Pois é, é assim que grande parte de nós educadores pensamos.

Não julgo todas as situações, afinal, sei que existem pessoas que entregam suas vidas às suas famílias, o que acho muito bonito e lisonjeiro, porém, saliento que um educador nunca deve parar, o estudo é sua força motriz para continuar, e seus planejamentos e ações devem ser rasgadas ao fim do ano! Tá bem, nem tudo! Mas quase tudo! Isto, em minha concepção, é um reforço para novas pesquisas e novos métodos para a arte de lecionar!


Não admito que me digam que quem faz várias atividades ao mesmo tempo deixa a desejar na maioria delas, conheço casos, e me incluo nisso, modestamente, de pessoas que exercem várias atividades além de lecionar e conseguem desenvolver seus projetos paralelos de maneira límpida e com certo sucesso.

Não é difícil percebermos que a evolução tecnológica tornou o jovem mais esperto e perspicaz, e que o mesmo exige cada vez mais de seu professor, afinal, o anseio de aprendizagem de alguns evoluiu tão rápido quanto as máquinas desde a 1ª Revolução Industrial. Cabe ao professor se reciclar e tornar-se cada vez mais uma referência de caráter e um exemplo de um cidadão bem informado e atualizado.


Com certa nitidez observamos que alguns métodos que são utilizados na educação a tornam detestável, e isso respinga para a escola, que se torna tão chata quanto álgebra linear, que acredito que possa ser legal. Creio que o velho professor (Aquele carrancudo e disciplinador) deve se aposentar e permitir uma “muda” (Termo da biologia) e se utilizar do bom humor e das novas tecnologias para gerenciar suas aulas.

As atualizações, especializações e qualificações para isso existem, e elas nos tornam melhores, nunca é perda de tempo ler, aprender ou se exercitar, tampouco conhecer algo novo! Basta a nós, educadores, abraçarmos esta ideia, afinal, não merecemos ser apenas meros transmissores de conhecimento.

Como um sujeito que abraça o mundo, que tenta desenvolver muitas atividades ao mesmo tempo e que está diante de um cenário que representa o total pragmatismo educacional...Tenho que concordar com Rodrigo Coala quando falo sobre o sonho de uma educação pública de qualidade, pelo menos por enquanto...

Quem já perdeu um sonho aqui
Sabe o que é decepção
Só quem já perdeu tudo o que tinha
Pode entender.
Palavras,
desfeitas,
é consequência de quem já não é
A mesma pessoa, na qual um dia você acreditou
Desgasta ao refazer,
O que se espera e não tem solução
Retornos e atalhos, pra quem só vive sem direção.
Parece que vai ser sempre assim
Nada dá certo pra mim.
Oh não!

Fonte das imagens:http://edsongen.blogspot.com.br/2010/09/diante-da-realidade-em-que-muitas.html


quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Bom humor e a Geografia: Ééééééééé mais ou menoooos!

Na geografia, mais precisamente em um dos seus campos humanos, a demografia (Responsável pelos estudos da dinâmica humana e de suas populações) o bom humor pode ser apreciado sem parcimônia, afinal, por vezes nos deparamos com cenários confusos e grotescos que resplandecem em nosso país.

Não quer dizer que eu ache engraçado vivermos em um país desorganizado corrupto e com problemas sociais que deixam qualquer cidadão deprimido. Mas podemos analisar friamente algumas situações e levá-las aos alunos em um tom engraçado, e transferido o exemplo dado aos nossos jovens.

Durante as últimas semanas trabalhei com a maioria de minhas turmas dados advindos do IBGE (Censo de 2010 e estimativas de 2012), que nos mostram que várias pessoas de sua faixa etária (15 a 17 anos), aproximadamente 10%, não trabalham nem estudam, e se levarmos em consideração a localização de jovens como estes, vemos que nem todos são despossuídos o desprivilegiados, segundo o IBGE, grande parte dos jovens que trabalha nessa faixa etária também estuda (Ou somente frequenta a escola!).

"Faça piada velha para público novo e piada nova para público velho." JÔ Soares.

A leva de humor e absorção de informações, neste caso, está atrelada diretamente ao fato de possuirmos jovens esforçados, aqueles que são exemplo, estes que podem incentivar os acomodados a abandonarem estes lamentáveis 10%, estes que classifiquei de maneira bem humorada como “Pesados fardos para a sociedade”.

A Geografia propicia ao professor ser o mais dinâmico e bem humorado, só não percebe isso que é muito carrancudo ou tradicional, afinal, qual outra disciplina vai discutir os fatos rotineiros que nos envolvem diretamente com tamanha fundamentação? Ah, e os conteúdos? Eles podem ficar para um segundo plano quando o debate é fidedigno e integrador.


A disciplina que descreve a Terra é fascinante, nunca é a preferida dos jovens, isso é sabido, porém, talvez nunca seja a mais odiada, até brinco com este meio termo, afinal, a Geografia ééééééééééé mais ou menoooos mesmo!

Admito que poucos anos tive a Geografia como disciplina preferida, mas sempre me imaginei um professor menos metódico e com bom humor, afinal, quem se interessaria pela divisão geoeconômica brasileira se não houvessem algumas piadinhas sobre o assunto? Assumo aqui que o bom humor é essencial para a Geografia.


"No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora."JÔ Soares.

Afinal, o que seria de nós, meros geógrafos e professores de Geografia sem as nossas avaliações com elementos diferenciados, tais como: Charges, tirinhas e músicas!? Tenho certeza que nenhuma outra disciplina propicia tantas lacunas para utilização das mesmos!

E se me perguntarem:
- Professor, qual era a disciplina que tu mais gostavas?
Responderei sem titubear o seguinte:
- Química, querido!
Obviamente esperaria uma réplica!
- Mas Fez Geografia...por quê?
E com um largo sorriso responderia:

- Sei lá, não escolhi Geografia, ela que me escolheu!

domingo, 30 de março de 2014

A Geografia e a religião: Um eterno engodo.

Um dos temas mais abordados nos últimos tempos em sala de aula é o conflito entre a ciência e a religião, e normalmente a disciplina de Filosofia se encarrega de promover um debate e construir uma discussão saudável entre os alunos, sendo que o professor atua como mediador e assim apresenta várias facetas para tal discussão.

A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega - Albert Einstein

Concordo que a Filosofia (até por não ser uma ciência) lida melhor com este debate, a reflexão sobre este tema é essencial para o aluno compreender sua sociedade e o papel primordial que as religiões possuem em seu cotidiano.

Na disciplina de Geografia tudo é mais complexo, afinal, você lida com uma disciplina que surge de uma ciência, há métodos e técnicas por de trás de tudo que o professor irá comentar. A ciência geográfica é muito mais antiga do que se pensa, e as escolas alemãs e francesas desenvolveram técnicas, métodos e procedimentos únicos, tornando assim a Geografia uma das mais completas e complexas disciplinas do currículo escolar.


Sendo o campo responsável pelos estudos demográficos, a Geografia propõe profundas reflexões sobre o comportamento e características de determinadas populações. Pesquisas são realizadas para aferirmos a composição étnica e as condições sociais dos habitantes de determinados países, estados ou municípios. E através destes dados podemos constatar que nosso país é cristão!

Não que isso seja ruim, mas o desafio se torna muito maior!

Um professor por vezes deve apresentar versões diferentes para o surgimento do universo, sistema solar ou até mesmo sobre o início da vida humana em nosso planeta, porém, sabemos que na escola devemos dar todo apreço para a discussão científica, panorama oposto de nossa realidade.

Duas mãos trabalhando fazem mais que milhares unidas rezando – Charlie Chaplin

Você, como educador, até pode mostrar o contexto bíblico e elucidar que cada um escolhe seus ideais e dali em diante pode escolher “O que vai acreditar”, porém, tento não fazer isso, e prezo sempre para a discussão em nível científico, isso não quer dizer que você vai passar por cima de dogmas religiosos pré-estabelecidos por religiões que seus alunos seguem.



Ao iniciar uma discussão sobre o que chamamos de “Início de tudo” percebemos que grande parte dos jovens (E por vezes adultos) possui pouco conhecimento sobre a versão científica, ou seja, com piadas infames e comentários tolos julgam o “Big Bang” como mera teoria, menosprezando o fato da realização de pesquisas intensas para se chegar à mesma.
Darwin, contribuidor de valia máxima para a Geografia também é ridicularizado e tido como um escritor de ficção, sendo que sua obra é classificada como um enfadonho delírio de cientista com parafusos a menos, pelo menos é o que percebo diante de asneiras colocadas em comentários pobres e de embasamento raso.


Todas as religiões são a verdade sagrada para quem tem a fé, mas não passam de fantasia para os fiéis de outras religiões – Isaac Asimov

A crítica central está embasada no fato de que professores, por vezes, preferem não discutir e iniciar um debate sobre a temática na disciplina de Geografia, jamais classificarei como perda de tempo, afinal, é papel do geógrafo elucidar e mostrar-se atento a todas as teorias que fazem parte do ramo científico que decidiu seguir.

Como ateu, tenho uma visão que muitos consideram fechada para a discussão, porém, saliento que não me refiro a religião como “besteira” ou como entidade “Desconstrutora de sociedade”, apenas coloco que a mesma não pode ditar e frear ânsia de aprendizagem de nossos jovens, que por vezes recebem informações distorcidas e adquirem um pré-conceito ao estudarem teorias de cunho geográfico que contradizem os dogmas criacionistas.

Afinal, me parece ser um imenso engodo cobrar de um aluno o pleno entendimento da teoria da “Deriva continental” se o mesmo crê que o mundo foi criado em poucos dias, totalmente estabelecido e habitado em seguida.




domingo, 23 de março de 2014

Não existe amor pela leitura, não hoje, nem agora!

Atualmente a leitura tem se afastado muito dos jovens, é perceptível que vivemos em uma sociedade mais moderna e com informações mais alinhadas e por vezes mais acessíveis, afinal, com poucos cliques podemos descobrir tudo sobre determinado tema, e os velhos livros já não são mais tão úteis e parecem ser somente adornos em estantes já empoeiradas.

A poesia morreu, e o interesse pela mesma também! Os livros clássicos da literatura brasileira só são explorados por vestibulandos que visam atingir suas aprovações, sabe-se que poucos se importam com as obras de José de Alencar ou Jorge Amado.


"O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler." 
Mark Twain.

Os livros técnicos ou didáticos também são pouco explorados, escolas visam estimular a leitura, mas parecem caminhar em caminhos opostos ao gosto refinado do jovem dos dias atuais. Leituras superficiais e pouco densas são recomendadas aos jovens que leem muito, mas leem o que não é interessante ou informativo.


Uma imensa chuva de best Sellers invadiu a literatura e conquistaram vários jovens, porém, vemos que são obras vagas e distantes da realidade, primordialmente de nossa realidade, volto a repetir, os clássicos morreram, e o Brasil vemos as leituras efetivas sendo aquelas importadas e que possuem clichês em seu eixo central; Vampiros, zumbis, lobo e demais elementos folclóricos. Concluo que a leitura existente é incipiente ou emburrecedora, com diálogos vagos e vocabulário limitado.

Reptos interpretativos

Presenciamos também imensos problemas na educação, estes que não somente são relacionados às estruturas precárias oferecidas pelo governo ou pelos míseros salários pagos pelo mesmo, mas também pela dificuldade do jovem em se desprender das amarras existentes em uma sociedade onomatopaica e pobre culturalmente.

Como citei; livros não são mais tratados como ferramentas de difusão de conhecimento, mas sim como objetos obsoletos que somente trazem parcela de uma discussão. Nada é tão interessante nos dias atuais como o feed de uma rede social, por que perder tempo lendo algo que nem precisamos saber? Afinal, quando for necessário é só recorrer ao buscador cibernético mais próximo!

"Ler não é decifrar, escrever não é copiar."
Emília Ferreiro.

Atualmente ao lecionar tento utilizar ao máximo uma linguagem coloquial e utilizar termos que enriqueçam o vocabulário de meus alunos, e diante de tal atitude percebo a falta que a leitura faz para a maioria dos jovens, que por vezes fazem questionamentos que são encabeçados por dúvidas básicas.


"Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar."
Rubem Alves.

Como se pode escrever algo concreto, coeso e inteligível sem leitura e prática?
Avaliações e práticas escolares densas que exijam leituras extensas e produções próprias se tornam difíceis para qualquer um que pouco pratica a escrita ou que pouco lê, e este se configura como o maior problema de nossos alunos, que por vezes parecem perder a paciência ao lerem textos extensos e com uma linguagem mais rebuscada.

Na disciplina de Geografia o cenário não é distinto! Professores lidam o curso inteiro com autores de escrita complexa e densa, como: Ab’Saber, Milton Santos e Roberto Lobato, e depois aplicam suas diretrizes em sala, fica difícil agir e lecionar diante de um público com tamanha dificuldade em interpretar o básico, quanto mais o técnico.

“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”
Paulo Freire

Espero nunca precisar transformar aulas em “Churrascos de fim de semana”, com gírias infinitas e expressões pobres para conseguir contextualizar um conteúdo, só espero!


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